quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Amor vs Paixão

A cada dia que passa sinto que a batalha entre amor e paixão tende a ser vencida pela segunda e não pela primeira. Paixão, sensação extremamente intensa, explosiva, rápida cativa em nós a vontade de cortar com todos os limites físicos e sociais. Deixa-nos em fogo, acende-nos por dentro e por fora como petróleo a queimar alta e vivamente. Ultrapassa o último céu como uma chama intensa num ponto único. Amor vive calmamente dentro de nós, aconchegando constantemente o corpo com uma temperatura saudável, levando-nos a aliar-nos a quem nos faz sentir assim. Constrói alicerces para que possamos transmitir esse sentimento a quem nos rodeia e a quem de nós possa ser criado. Vive por dentro e por fora, alimentando o ser não apenas num ponto único e fogoso, mas por toda a sua corporeidade. Realiza mais do que inconsciente e corporal. Trespassa para campos meta-físicos como a alma e o ser como ser. Julgo que a escolha na decisão dos caminhos é acima de tudo feita pela maturação do sujeito e pela sua compreensão ambiental de cada trilho. Ambos não são estritos e opostos, pelo contrário, algumas vezes tocam-se e encantam com perfume semelhante, mas sem dúvida que trazem resultados diametralmente opostos. São torrentes que estranhamente após serem vividas podem levar a que sejam alteradas para o seu oposto, mas só num sentido, paixão no caminho do amor, já não se sucedendo o oposto, pois o amor concebe também momentos de paixão mas sem deixar de ser a sua génese. Infelizmente, ou felizmente, depende constantemente do interesse e atenção do sujeito, a paixão está cada vez mais publicitada e acessível, caindo até em mares de banalidade. Aparece tão rápido como se esgota e se descarta com o aparecimento de uma outra sensação semelhante, gastando-se os créditos e resistências mentais e sentimentais. Usa-se significados de amor para se obter prazer sem sequer lhe atribuir significações, menções semelhantes. O prazer não está no local de chegada, tantas vezes o mesmo, sem conteúdo nem importância da melodia ou sinfonia entre os corpos, mas está no caminho, no processo de ser mais forte e coerente, no doce sabor da descoberta guiada.

2 comentários:

  1. Olá, Pedro,

    Concluis o texto com uma tirada absolutamente chave: "O prazer não está no local de chegada, tantas vezes o mesmo, sem conteúdo nem importância da melodia ou sinfonia entre os corpos, mas está no caminho, no processo de ser mais forte e coerente, no doce sabor da descoberta guiada."

    Assim é.

    Marcelo

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  2. Obrigado Marcelo, que todo o mundo compreendesse isso e pensasse sempre também na outra pessoa era o meu desejo mas, infelizmente, a felicidade de cada pessoa depende muitas vezes exclusivamente do seu ponto de vista.

    Forte abraço

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