quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Música

Música é a torrente vibracional que comanda o corpo, sem nunca o controlar mas sim, libertando e expondo as suas extremidades. Não ficamos indiferentes, ela é mais de que uma essência, mais que um veneno, apodera-se de nós e leva-nos para sítios mágicos, nós absorvidos por ela e nela, caminhamos conjuntamente nessa viagem para lá do limite do consciente. Solta-nos, prende-nos, faz-nos sentir tristes e felizes, abre-nos para fora mantendo contudo todo o sentimento lá dentro. Explodimos e gritamos, exibimos o nosso corpo em formas curvas e estranhas, saltamos e giramos criando movimentos que só a ética e a compreensão do belo entendem. É contagiante e provoca a união dos povos, dos seres, alerta para as desigualdades, cria deuses que se imortalizam para sempre nos nossos ouvidos. Aumentam o nosso vocabulário e o nosso conhecimento, faz-nos conhecer mais pessoas e acompanha-nos para todo o lado. Sem nos contestar, acarinha-nos e ouve-nos, está presente em todos os nossos momentos, mesmo quando apenas nos assiste o silêncio e a solidão. Cria revolta e esperança em nós e propaga-se até à ponta dos cabelos, deixa-nos letárgicos e muitas vezes eléctricos, dependendo do nosso estado interior, catalisando muitas vezes o que nos corre na alma. Cada batida, cada letra, são sintonias no nosso cérebro, melodias no nosso coração que nos fazem acalmar como o mar ou flutuar bem alto como o vento. Sinfonia que nos alegra o dia e cuida na noite, que nos faz sonhar e acreditar que somos gigantes, imensos, transcendentes e para-normais. Tem a tendência de ser única e própria, tocando da mesma forma, atinge cada um de forma diferente, significando e dando significâncias, estares, múltiplos a cada um. Certo que alguns fazem da música a sua vida, mas ela não é restrita, não é privada, a música vive e está dentro de todos nós. Todos nós temos a nossa aparelhagem e todos nós uma batida. Compreendê-la e acompanhá-la é o segredo.

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