sexta-feira, 13 de julho de 2012

Cai a noite...

Cai a noite, apaga-se a luz, fecha-se a porta, a chuva cai, o coração suspira e o corpo desliga. A mente sempre activa, pensa em ti, pensa em tudo o que vivemos, o que poderíamos ter vivido e não vivemos, o que vivemos e talvez não o devêssemos ter vivido. Sinto-te cada vez menos, vais-te soltando entre os poros, a paciência já não resiste ao cansaço de lutar por ti, sonho contigo, vejo-te longe e difusa, os lábios já não se tocam, os corpos já não se sentem, fica o vazio entre nós. Percebo que afinal nunca foste minha, eu nunca fui teu, nunca existimos um dentro do outro. Produto das nossas ilusões e fantasias, sais correndo sem olhar para trás, descalça e com o cabelo solto não tens medo do escuro, não olhas para trás, não te arrependes, nem sentes os pés tocando a água, mergulhando na solidão. Foste a minha alma, a minha vida e a minha energia, o sol que me iluminava e me dava força, agora não passas daquilo que sempre quiseste ser, uma aventura, um soltar de emoção, algo que não existe no mundo do comum. Não te esquecerei, não te viverei, nem te lembrarei, vais caindo tal e qual como sempre sonhaste, afinal, não tens peso, tens asas e fazes o que queres com elas, a tua imaginação permite-te isso. Apesar de todos estes anos, consigo agora resistir-te, pensar que existe algo mais do que tu, algo mais importante e pelo qual luto na vida. Sei que estarás sempre por perto, sempre na ânsia de me contaminar, de me fazer enlouquecer e perder a calma e felicidade. Contudo, hoje foi mais um dia que não me venceste, foi mais um dia que te libertei e te perdi na imensidão do prazer de ser feliz... Até amanhã dor... descansa em paz.

2 comentários:

  1. No fim fintaste-me com o "até amanhã dor".

    Parece-me que falavas de alguém, não de algo. Coisas da escrita.

    Ficou bom este post.
    Um abraço,

    Marcelo

    ResponderExcluir
  2. Obrigado Marcelo, falo de dor como tudo aquilo que me magoa, ou magoava, pessoas, sítios, situações e experiências, sem sentido objectivo mas compreendendo tudo o que a vida nos trás também de mau. Agradeço também esse lado, pois também é ele muitas vezes que nos faz crescer ainda mais e viver com mais intensidade o que realmente é importante, o que realmente tem sentido.

    Abraço

    ResponderExcluir