sexta-feira, 13 de julho de 2012

Conscientemente irracionais

Em que medida é justo ceder à irracionalidade que nos aproxima dos nossos instintos?
Desde o início da nossa evolução, quando não éramos o que somos nem sonhava-mos ser o que somos, nem capacidade tínhamos para sonhar, que sentimos, temos sentimentos e agimos e quase sempre reagimos a esse sentimento. Desde as primeiras células que habitaram este planeta, onde elas já vão, que o sentimento foi comandante da evolução. Apesar de ser de uma forma muito rudimentar e simples, o sentimento que as células dispunham através da reacção com o meio envolvente fez com que estas se moldassem em busca do benefício energético ou por sobrevivência ao meio onde habitavam. Os seus sensores emitiam um sinal mini-eléctrico que possibilitava ao núcleo, ou quase-núcleo, a possibilidade de ter um comportamento perante tal sinal. Dessa forma foi possível existirem simbioses, trabalho de cooperação entre seres, batalhas que provocaram evolução, pois nem sempre de bem e positivo se evolui. Passados largos milhões de milhões de anos, saberá lá quem quando tudo começou, o ser humano continua em larga medida a agir e principalmente reagir dessa forma. Certamente se pensarmos bem a palavra acção na verdade nem faz sentido, pois tudo surge através de uma concepção sobre o interior e exterior, e em certa medida na vantagem energética que isso nos pode transmitir ou produzir. Assim poderemos pensar, será que a nossa irracionalidade não será mais benéfica que toda a nossa racionalização e normalmente acima de tudo problematização do que nos é apresentado? Até que ponto na verdade não pensamos realmente que queríamos o que nos parece irracional, e porque muitas vezes quisemos ser racionais, acabamos por perder tempo e o momento? O animal selvagem não acaba ele também por medir as consequências e mesmo assim triunfar bem mais num mundo bem mais hostil, ou seja é racional e irracional ao mesmo tempo? A razão deverá estar acima de tudo na compreensão do que é benéfico para nós e compreender que a barreira que nos permite ser racionais e supostamente inteligentes pode ser também, e não raras vezes, uma mordaça que não nos permite exprimir o quanto gostaríamos de dizer, eu quero é viver!

2 comentários:

  1. Olá, Pedro,

    Agradeço a oportunidade de ter influenciado o tema deste texto.

    O motivo de o ter proposto prende-se com a ideia que tenho de que a humanidade está a polarizar-se em dois tipos de existência: gente sistematicamente irracional que não consegue dominar bem a resposta a estímulos e se perde com facilidade no meio disso uma vida inteira, e por outro lado gente predominantemente racional que tem necessidade, a espaços, de conceder-se racionalmente o direito a alguma irracionalidade.

    Sobre o teu texto, há apenas um aspecto que me pareceu não ficar tão claro: creio existir uma diferença entre emoção (irracional) e Vontade (ainda está por definir o que é). A evolução na Natureza faz-se segundo uma Vontade que o Homem não consegue explicar de onde vem, embora perceba cada vez melhor como funciona (DNA, mecanismos, hormonas, etc). As células não estão motivadas para a vida, antes vivem porque algo as faz viver, essa tal Vontade. No homem é igual: podemos, em termos de emoção, estar desmotivados perante a vida, no entanto o metabolismo continua a trabalhar por devido a essa Vontade inexplicável (Deus?)

    Desfeito esta dúvida, concluo dizendo que a sociedade percebe que o calculismo racional está um degrau acima do emocional em termos de refinamento existencial, mas , percebendo igualmente que precisamos de emoções, ainda não consolidou bem como se gere um ser duplamente racional e irracional.

    Um abraço e obrigado!

    Marcelo

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  2. Essa vontade passa essencialmente por uma questão de sobrevivência em primeira estância e depois de proveito, ganho de energia ou de uma posição favorável em relação à anterior. A consciência sobre essa mesma vontade, orientação é que tende a ser diferente entre indivíduos, tal como nas espécies. Umas perduram, outras carecem e desaparecem. Normalmente a mais racional tende a continuar, a que se deixa levar na corrente não compreende que vai no sentido do abismo. Contudo, e foi o que quis dizer, nem toda a irracionalidade e emoção devem ser postas de lado. Existe algo de muito puro e selvagem nelas que nos fez evoluir ao longo dos tempos. Obrigado pelo comentário e um forte abraço

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