Durante o dia muitas são as ocasiões onde nos deparamos com decisões. Embora muitas delas estejam automaticamente efectuadas na nossa mente mesmo antes de nos apercebermos, pois representam uma constância confortável ou mesmo protetiva, por vezes algumas decisões têm de ser mais refletidas. Pelo grau que normalmente apresentam de complexidade ou pelo resultado que daí advêm, estas decisões são momentos que marcam a nossa vida, quer no momento, quer muitas vezes no futuro próximo ou médio. Perante os panoramas e as devidas opções, muitas vezes é demasiado complicado sair do panorama pessoal, ver sem ser com os nossos olhos, sem dar sentimento ao caminho que vamos tomar, sem pensar perante a nossa lógica, quebrando a matemática das probabilidades que tantas vezes decidem por nós num instante. Contudo, existem momentos que nos transcendemos, sem grandes correrias ou saltos mas não raras vezes parados, são nestes momentos que nos tornámos algo mais, algo superior, pois compreendemos que existe algo mais a nós, criámos uma mente supra corpo que se sente relaxada, calma, que vê claramente sem a poeira do cansaço e stress, como se do alto da montanha conseguíssemos ver todo o mapa da questão e os seus possíveis caminhos. Não sei ao certo o que acontece, porque acontece e como acontece, mas acredito que por vezes perante o cansaço e stress o corpo liberta hormonas que levam a um relaxamento do cérebro que permite ao subconsciente estar mais presente e dessa forma apresentar-nos de forma clarividente a solução ou o melhor caminho. Tal como nos sonhos, onde por vezes nos parece tão claro o mundo que queremos e desejamos, os momentos que mais nos fazem felizes ou mesmo uma perspectiva que não se apresentou até então. Isso deve-se ao facto de o consciente não compreender toda a realidade que lhe é apresentada, quer na sua extensão quer na sua atenção significativa a todos os seus elementos. Por isso é necessário treino para que a mente se desenvolva e apresente resultados mais constantes deste prisma, que relaxe mais e que saiba conviver com o subconsciente e mesmo inconsciente mais vezes. Para que não exista fases subdivididas e compartimentadas, mas uma livre fluidez de pensamento e categorização. O ponto de vista nunca deixará de ser pessoal, pois compreende o mundo que nos rodeia, que buscámos e nos aproximámos, mas torna-se num ponto de vista meta-pessoal de um ser que compreende, entende e absorve mais que os seus limites conscientes. Nada de anormal, simplesmente um ser altamente sensitivo e treinado para a categorização e resolução de equações.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Negociações
O acto de negociar é das actividades mais difíceis e complexas que existem, principalmente a nível profissional. Exige uma compreensão sobre os seus momentos que ultrapassa claramente o facto de simplesmente ter um bom argumento, uma boa mão, poder financeiro ou físico. Para negociar é preciso perceber que exige um trabalho a priori, de estudo, planeamento, definição de uma estratégia fundamentada e forte na sua base, é preciso precaver imprevistos e delinear possíveis soluções para os trilhos mais acidentados para que nunca nos percamos do nosso sentido e da nossa meta. Assim, trabalhando todos os dias, damos força e substância ao que somos, ao que representamos, no quanto o que nos envolve fica dependente de nós e o quanto podemos potenciar e valorizar o que nos circunscrita. Quando se parte para uma negociação é preciso estar calmo, consciente, controlado e tranquilo, é preciso perceber qual o nosso oponente, as suas forças e fraquezas e qual o plano em que vai decorrer a negociação. O estado anímico, o momento profissional e financeiro, os hábitos e culturas, a história de ambas as partes e os costumes de outros na mesma situação. É fundamental saber as cartas, argumentos, que temos, quando os jogar, ser paciente e prever e compreender as jogadas de ambas as partes, dar tempo, criar dúvida, incerteza, mesmo receio. Se por vezes a força bruta tem efeito, muitas vezes, e perante os mais iluminados, é preciso dar a ideia de que são mais fortes, que controlam e são superiores a todos os níveis, para que baixem as defesas, ou simplesmente para que quando usarmos os nossos trunfos estes sejam realmente efectivos e demolidores, conquistadores e definitivos. É necessária muita confiança em nós, no que somos, no que possuímos e oferecemos ou podemos oferecer. Não uma confiança desmedida, idolatrada ou cega, mas humilde e compreensiva da sua extensão e possíveis falhas. Partir para uma negociação é compreender que é necessário uma mudança, uma revolução ou alteração de momentos e situações, é perceber que será necessário bastante energia e motivação para que perante o desgaste e stress, a perseverança e a atitude se mantenham firmes e sólidas. Só percebendo que em todas as negociações também é necessário perder, ceder ou partilhar algo é que se pode atender ao sucesso, pois em todas as batalhas sempre se perde algo, quanto mais não seja tempo. Por isso, se possível, avançar sempre, crescendo sustentadamente, sem nunca ter que partir ou quebrar para se dar o passo seguinte, mas se tal for necessário, então a preparação e prontidão estão mais que garantidas.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Algumas desmistificações de ser emigrante
Uma constante no ser humano, uma actividade que está presente e quase sempre ocupa a maioria do tempo das pessoas é o juízo de valor sobre algo ou alguém. A análise e crítica é uma constante para a maioria das pessoas, que cada vez mais vivem o exterior e a superficialidade, sem conhecimento, sem procura, sem apreciação calma e reflexa do que se apresenta perante o seu olhar. É como não existisse filtração conceptual do impulso que é obsorvido e esse conteúdo fosse automaticamente reproduzido em avaliação final sobre o produto. Um género de fast food sem valor nutricional algum e muitas vezes de forma ampla com elevadas doses de desperdício da matéria existencial. Assim, as pessoas nas teias que desenvolvem com seres da mesma forma e génese, contemplam a vida dos outros, não a real e significativa, mas aqueles que eles vêem e aceitam como verdadeira. A visão do emigrante esplana-se a todo o comprimento no sentido desta avaliação de valor. A ideia do emigrante rico, forte, poderoso, faz lembrar a mistificação que se fazia dos dragões, polvos e sereias, pelos navegadores sobre o novo mundo. Esse sim, pelo menos era mesmo desconhecido e por isso possível de dar assas à imaginação. O emigrante apresenta-se ainda como um ser com uma aura praticamente intocável, como se fosse um ser que foi apresentado e aceitado pelos deuses. Contudo a verdade, a real, é bem diferente. Primeiro, nem todos os que emigram, emigram porque tem que ser, porque foram rejeitados no país que nasceram ou algo semelhante, existem vários que o fazem porque realmente querem viver e experienciar uma nova e diferente realidade. Segundo, nem todos, para não dizer a grande maioria, dos emigrantes se torna rico e poderoso, muitos são aqueles que vivendo perto da miséria se apresentam pelos portões da sua rua com coches banhados a folha de ouro falso. Para os que têm dinheiro, se calhar têm porque poupam e trabalham ao máximo, não tem regalias nem esbanjam em caprichos e vícios. Terceiro, muitos dos emigrantes não foram afortunados em saírem do país, não ganharam um bilhete mágico para ir no expresso do oriente e viverem a aventura de sonho, não, tiveram que deixar tudo o que lhes era cómodo, tudo e todos os que lhes eram conhecidos e ir em busca de renascer num ambiente novo, estranho, e por isso hostil. Quem ficou, muitas vezes ficou porque quis, porque lhes era mais preguiçosamente conveniente. Quarto, o emigrante não se torna, por estar num país diferente, um ser possuidor de uma cultura extraordinária, inatingível, muitos deles continuam a viver exactamente a mesma vida que tinham na sua autoctonia, e por isso sem embarcar na obsorção de novos estímulos e conhecimentos embargando o desenvolvimento intrínseco. Por último, no estrangeiro não é tudo perfeito e megalómano, existem pessoas boas e más como em todo o lado, aspectos melhores, outros piores, outros diferentes, países e culturas mais familiares ou não, uma expedição de item que só é apreciado de forma pessoal. Ou seja, não deixámos de ser humanos, com problemas e vivências quotidianas, não passamos a heróis intocáveis nem em seres afortunados nas mais variadas categorias e formas. Simplesmente somos pessoas que vivemos fora do país de origem, cada um com o seu caminho e a sua vivência.
Ser pai
A vida dá muitas voltas, umas provocadas, outras intencionais, outras parecem completamente aleatórias. Para todas elas tentamo-nos preparar o melhor possível, não só tentando planeá-las e estruturá-las mas também construirmos em nós habilidades que potenciam as nossas capacidades de realização e análise de conteúdos e tarefas. Ser pai, mãe, apesar de toda a predisposição que se possa ter, todo o conhecimento que se possa adquirir, todas ajudas que possamos usar, é um papel para o qual não existe guia, não existe editorial, nem tão pouco pode ser observado ou vivido se não por nós. É um sentimento e um estado muito próprios, basicamente intrasmissível pois não existem significações suficientes para descrever o que decorre em nós, por dentro e por fora. Apesar das muitas vivências e situações pelas quais passamos, acaba por se apresentar um panorama totalmente novo, onde sofremos metamorfoses e mutações que nos transformam num ser diferente. Parece que a partir daquele momento nos tornamos algo que até então não fomos, um protoser. O período de tempo desta fase de transição é minimal e por isso estranha, adversa, estonteante, energética, cativante e preocupante. É uma mistura de sensações que não se distinguem nem se dessolvem, simplesmente se apresentam e se vivem como um todo. Apesar de toda esta revolução, tempestade de emoções e sentimentos, o caminho continua caminhando-se com passos incertos mas o desejo de se fazer o melhor, de dar o melhor, de provocar e cativar o melhor. Muitas são as incertezas pois apesar de toda a logia e sofia sobre o papel a desenrolar, tudo é muito particular, caminhando sobre o esboço que se vai provocando. É um papel muito desgastante, muito intenso, muito vivido, mas por isso mesmo muito apaixonante, muito enriquecedor a todos os níveis sensoriais e cognitivos e que acima de tudo nos tornam mais humanos, mais puros, mais simples, mais focados no que realmente vale a pena viver, ao que realmente tem valor e siginificado. Ser pai é deixar de ser um eu para ser um nós, para se dar tudo o que se tem sem esperar nada de volta se não o desejo de que tudo o que se fez foi pelo melhor. É um papel altruísta e humilde, irreversível onde deixamos de ser quem fomos, onde vivemos claramente uma nova vida, uma nova página, um novo ser. É sem dúvida, dos melhores sentimentos da vida e que deve ser vivido como todos os momentos e prazeres da vida, intensamente, continuamente e apaixonadamente.
Assinar:
Comentários (Atom)