Imaginem que sabiam que amanhã seria o vosso último dia de vida... O que fariam? Será que perderiam tempo com aspectos insignificantes, queixas sobre dores ou males, gastavam tempo com quem não recordariam ou não vos diz particularmente muito, queimavam tempo sem saber o que pensar, o que fazer, o que sentir, davam o mesmo de vós no trabalho, com os amigos, com a família, com as pessoas que convivem diariamente sem muitas vezes dar um sorriso ou um brilho nos olhos, será que perderiam tempo a pensar demasiado no passado e no que poderiam ou mesmo deveriam ter feito e não fizeram, discutiam tanto, chateavam-se tanto, pensavam tanto, faziam o mesmo todos os dias? Penso que a resposta seria claramente não para qualquer leitor. É certo que em grande parte dos casos nunca saberemos exactamente quando morreremos, e em certa medida isso é bom pois não nos cria pressão nem ansiedade, mas também em certa medida é mau, pois se todos soubéssemos realmente quanto tempo estaríamos aqui, talvez todos nós aproveitássemos mais um pouco cada momento da vida e que esta nos dá e espera de nós. É certo que devido a razões profissionais, contratuais e demais regras e normas sociais, algumas decisões não poderemos tomar diariamente, pois o nosso amanhã seria incoerente e não progressivo ou consistente com um crescimento pessoal, social e profissional, mas certamente poderemos tomar algumas decisões diferentes. Experimentar algo novo de tempos em tempos, dar mais intensidade a cada momento que vivemos, que trabalhamos, que viajamos até nos percursos mais curtos diários que estabelecemos, viveríamos mais felizes e menos presos ao passado e futuro, aos resíduos da vida diária, das chatices que temos por vezes com as pequenas coisas e pessoas. Passaríamos mais tempo com as pessoas que mais amamos, daríamos mais de nós, faríamos mais de nós, pois cada momento seria mais especial, mais significante. Beijar mais intensamente, amar mais os próximos e nós mesmos com mais alegria e brilho. Dar mais significado aos pequenos gestos, aos pequenos sabores, aos pequenos cheiros, tudo aquilo que por vezes fazemos, bebemos, comemos e estabelecemos relação sem realmente dar o devido valor. Pois a vida é feita disso, não só das grandes experiências e memórias, mas do dia a dia que nos alimenta e nos faz ter energia para concretizar sonhos e criar outros novos. A vida é curta ou longa conforme o que fazemos dela, é rica ou pobre conforme as substâncias e essências que a alimentamos, é com sucesso ou não conforme cada momento que vivemos com significado e o significado que temos para os outros que nos circundam de alguma forma.
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