Esta é uma das perguntas que me fazem mais frequentemente. Acaba quase por ser uma repetição semanal e à qual por vezes não tenho a mesma resposta. Para mim é natural, sentido de forma simples, óbvia. A minha vontade em trabalhar com crianças, em transmitir conhecimento e fazer com que evoluam é uma paixão, é algo intrínseco. Perceber como a sua mente funciona, como explorá-la, como fazer com que evolua e compreenda o que a rodeia e de que forma pode interagir com o meio que vive, é um desafio e motivação constantes. A forma como nos colocam as perguntas mais simples e directas, mas para as quais não estamos preparados, por vezes por demasiada formatação académica e por complexificar tanto o que é realmente simples, leva-nos a encarar o ensino e planeamento de uma forma mais pura, mais orientada, mais sincera e específica. Com certeza não é uma tarefa fácil, exige uma enorme capacidade física e mental para se estar sempre disposto e predisposto para ser activo e proactivo e também para conseguir analisar os vários momentos das aulas, tal como perceber e compreender as várias formas de comunicação que nos são dadas por elementos de tão tenra idade, principalmente a sua comunicação corporal que normalmente nos diz muito mais que a sua comunicação oral. É necessário uma criatividade constante não só para a formulação de exercícios novos e desafiantes mas também para resolver situações que se apresentem conflituosas em termos de realização da própria actividade de transmissão de conhecimentos ou mesmo de resposta às mais variadas e impensáveis perguntas. É também necessária muita perspicácia para ensinar os pais a saberem comportar-se e a entenderem melhor o processo de ensino-aprendizagem, muitos deles simplesmente não foram talhados para essas tarefas e alguns apesar da motivação que têm não possuem mecanismos de compreensão e interacção para com os seus sucessores. Julgo que é um trabalho onde é necessário uma evolução constante e uma entrega total para que se possa ter o devido sucesso e reconhecimento, sinceramente não o encaro como um trabalho mas sim como um projecto de construção próprio e naturalmente de outrem. Pelo facto de serem crianças e terem todos um futuro imenso à sua frente dá-me ainda mais prazer e por me darem tanto com a sua pureza e imaginação, fico eternamente grato e dessa forma, mesmo por vezes estando nos limites das minhas capacidades física e mental, tudo o que posso fazer é dar o melhor de mim, pois para mim, este é sem dúvida um dos melhores trabalhos que se pode ter na vida. Para além disso, qual seria o sentido de passar horas e horas da minha vida, basicamente grande parte da minha vida acordada se fosse apenas para passar tempo e ganhar dinheiro? A vida é para ser vivida inteiramente e mais do que tudo com sentido, sentido de realização e de alegria no que se faz, no que se sente.
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