domingo, 25 de agosto de 2013

Ausência

Vários foram os meses em que não escrevi, não por falta de vontade, não por falta de criatividade, mas porque precisava de algum tempo para mim. Porque todas as pessoas precisam de algum tempo para voltar a arrumar o seu armário, limpar, tirar o pó, reorganizar caixas e catalogar melhor tudo o que está nas suas gavetas para que seja mais fácil procurar novamente quando lá se volta e para compreender melhor todas as prioridades. Por vezes para continuar a caminhar em frente com passos seguros e sólidos é necessário reavaliar patamares de estado e sentimento, de pensamento e de coerência com o que se idealiza para o futuro. Não raras vezes, o stress diário e a rotina leva-nos a um estado de adormecimento que nos faz viver sem realmente compreender o que fazemos e porque fazemos, perdemos um pouco a orientação e a objectividade acabando por perder tempo e energia em tarefas que apenas nos consomem sem dar grande produtividade ou satisfação. A cegueira é de tal forma interveniente que atingimos um ponto em que já nem nos identificamos conosco ou com o sítio onde estamos. Assim, recomendo a todos que não exagerem nunca, esforcem-se e procurem sempre dar o máximo, por vezes tentem mesmo ultrapassar os vossos limites mas sempre com a consciência que é necessário descansar e relaxar. Não só em termos profissionais mas também sociais e pessoais. Perceber que por vezes é necessário voltar a ser criança e ser menos sério em relação a tudo e todos, que por vezes é bom perder tempo a olhar apenas o tempo passar e passar por nós. No fim, todos morremos e caminhamos para o mesmo sítio e nada do que possuímos agora vai conosco para o outro lado. Contudo, não quero com isto dizer que devemos deixar de tentar viver o máximo de cada dia e fazer o máximo dele, pelo contrário, viver intensamente e sempre construtivamente cada momento e cada dia, dar realmente valor ao que tem, e investir para uma vida cheia de sonhos concretizados e muitas experiências ricas em forma e conteúdo. O que quero passar é mesmo a ideia que a pausa, que a ausência, que o "perder tempo" é fundamental para que se possa evoluir com estrutura e sabedoria. Parando e sentando sobre o banco da estação da vida, compreende-se muito melhor o quanto estamos dentro e fora do comboio, sem nunca sair, sem nunca entrar, olhamos para as suas belas cores e compreendemos o quanto fazemos parte da sua paisagem. A contemplação deve ser profícua e saborosa. O olhar sobre o eu dentro e o eu fora.

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