A vida coloca-nos situações e problemas constantemente. De vária ordem e forma, a problematização é corrente na nossa mente e só assim nos faz evoluir, espera-se, positivamente. Nem sempre é fácil identificar o problema, principalmente a sua fonte e como se origina, parece saltar para a realidade como se estivesse escondido perante o nosso olhar mais desatento. Não por acaso, quiçá, quando surge um parecem surgir logo todos como se pertencessem a alguma família mais mafiosa onde o atingir um membro faz disparar os alarmes de toda a comunidade. O que leva a que isso aconteça, o aparecimento em série, deve-se principalmente à forma leviana como vamos encarando o problema numa fase inicial, como se fosse muito fácil e simples de resolução e até com o tempo fosse simplesmente varrido do nosso horizonte. Infelizmente é típico no ser humano uma certa conformação e relaxe perante qualquer tipo de barreira ou buraco que se crie, simplesmente procura-se a melhor maneira de os contornar. Contudo, a pouca experiência de vida tem me oferecido alguma sabedoria para saber que se não actuar em conformidade com o problema e se não se procurar disseminar, vulgarizar, a situação, então não aprendemos, não evoluímos e acumula-se o peso sobre o corpo e principalmente sobre a mente. Não crescemos com soluções capazes para situações futuras e acabamos por ser facilmente consumidos pelas várias situações. Assim, acredito que paciência é uma característica fundamental, não só na questão de aguentar, mas sim na capacidade de actuar sempre calmamente e com frieza, com habilidade analítica e poder de incisão para saber o que atacar e como atacar. Para além deste aspecto, existe outro que julgo ser determinante que é a comunicação, outra vez não pelo simples hábito de falar, conversar, mas estendendo a comunicação a todo o tipo de interacção que podemos e devemos ter sobre os sujeitos, objectos ou substâncias que nos rodeiam. É vital uma compreensão do meio que nos envolve a nós e ao problema para sabermos realmente o porquê da sua existência na nossa vida, o que o causou, o que o fez nascer, e porque não, em que sentido ele surgiu para que nos tornássemos seres mais compostos, mais animados, mais intervenientes, perante o mundo que nos rodeia. Só saindo da porta da nossa mente e corpo, só exteriorizando o nosso ser, percebendo e conhecendo o que está dentro dele e fora, é que somos capazes de nos envolver com as barreiras que nos apresentam e as moldamos como a nossa fortaleza.
sábado, 31 de agosto de 2013
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Silêncio da noite
A noite é uma fase fabulosa, revela sombras que não conseguimos observar durante os períodos de sol, o seu silêncio é calmante e sonhador. Principalmente em alturas de verão a noite faz despertar mais o corpo para sentidos que se mantêm inactivos durante longos períodos do ano. Aproxima mais o homem da sua face animal e activa instintos mais exploratórios e aventureiros, leva ao progresso de uma mente mais ligada à realidade e ao palpável. Descobre as personalidades de cada um e contempla a sua exibição. Talvez não por acaso é nesta altura que os predadores saem das suas tocas, porque os seus instintos felinos assim os comandam mas principalmente porque é a noite que potencializa as suas capacidades e habilidades. Acorda e faz sonhar as mentes poéticas e românticas e desinibe as mentes que usando a noite como um pano ilusório se apresentam finalmente à sociedade, pois sobre o pretexto da noite e do que normalmente está associado tudo fica desculpado. É durante a noite que brilham as mais belas luzes, e não falo de estrelas, que são naturalmente belas, mas sim pelas luzes de cada ser, tornam-se mais evidentes do que durante o dia pois ao longo deste período a quantidade de luzes é de tal forma imensa que ofusca o olhar mais destreinado e menos atencioso. O cansaço desencadeia um processo de caracterização do que é fundamental para o corpo e para a mente e assim todos os mecanismos mais racionais são adormecidos, a alma torna-se mais pura e objectiva, sente mais o que a rodeia e catalisa mais o poder criativo e recreativo. É na noite que os sonhos se desenvolvem nos nossos olhos, enquanto olhamos o horizonte, que se ouve a música que a cidade e o ambiente produzem, que se depara com os aspectos mais simples da vida e com as substâncias mais essenciais do nosso mundo. É nesta altura que as máscaras saem, que os panos caem, e que a sociedade actua sem regulamentação, sem controlo, sem sentido e sem direcção. Felizmente a noite existe para que se dê também mais valor a cada amanhecer e anoitecer. Devemos agradecer à noite pois é nela que os grandes progressos são feitos, que as ideias surgem sem rodeios e sem amarras, que os sonhos se produzem e nos fazem impulsionar para sermos mais, mais humanos, mais super humanos ao mesmo tempo.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Amplificador de horizontes
Ao longo das nossas vidas, todos nós vamos aprendendo e evoluindo de várias formas, através dos estudos, através da educação primária dada pela família ou pelos encarregados de educação, através dos livros, dos amigos, da nossa interacção com o mundo e mesmo com os laboratórios mentais que vamos produzindo dentro da nossa mente. Todas essas formas fazem-nos evoluir em diferentes proporções e formas de potenciação. Não desenvolvem apenas o nosso intelecto mas também a nossa locomoção, os nossos sentidos e sentimentos. São vitais para que consigamos desenvolver-nos socialmente e procuram cativar em nós novos caminhos e espaços do conhecimento, da sabedoria, da experiência, da alma e do sentimento. Em toda esta salada de ligações existem algumas que são mais ricas, não que sejam por isso mais duradouras, mais inteligentes, mas que desenvolvem em nós momentos em que enriquecemos como sujeitos da sociedade e do conhecimento e que nos abrem mais portas que todas as outras possibilidades de conexão. São as pessoas, momentos, espaços ou objectos que nos marcam determinantemente e que vão ser lembradas para sempre como marcos históricos e aos quais tantas vezes recorremos à memória e à lembrança. Levam-nos a um estado de espírito mais elevado, por vezes de quase euforia, por nos dar tanto e de forma tão simples e pura. A forma como nos ligamos a estas substâncias ou sujeitos, é tão natural, tão instantânea que parece que sempre fez parte de nós, que os conhecemos como tivessem nascido conosco tal é a sintonia que se cria. Também não raras vezes o sentimento é de tal forma mágico que parece intemporal, parece que nesses momentos tudo pára tal é a forma como se vive intensamente esses momentos. Infelizmente por serem tão especiais por serem tão fantásticos parece que passam num piscar de olhos, e por vezes só nos apercebemos do quanto foi tudo tão maravilhoso quando esses momentos já passaram, quando já se foram e quando já não os podemos agarrar a não ser na nossa memória. Assim devemos tentar viver sempre intensamente os momentos que nos deixam realmente pairados sobre os céus e se possível, se alcançável, vive-los novamente e dar-lhes o máximo valor e importância. Dar valor ao tempo que se tem e ao que se faz com ele, é em última instância, a verdadeira essência e sabedoria do ser humano. Estender e expandir o máximo que se puder o dia, preenche-lo e enriquece-lo não com muita quantidade, mas com muita qualidade de momentos e experiências memoráveis. Amplificar e procurar elementos que amplifiquem os nossos horizontes, desafiar os limites da própria mente e corpo, deve ser esse o sentido e sentimento do ser, do eu.
domingo, 25 de agosto de 2013
Ausência
Vários foram os meses em que não escrevi, não por falta de vontade, não por falta de criatividade, mas porque precisava de algum tempo para mim. Porque todas as pessoas precisam de algum tempo para voltar a arrumar o seu armário, limpar, tirar o pó, reorganizar caixas e catalogar melhor tudo o que está nas suas gavetas para que seja mais fácil procurar novamente quando lá se volta e para compreender melhor todas as prioridades. Por vezes para continuar a caminhar em frente com passos seguros e sólidos é necessário reavaliar patamares de estado e sentimento, de pensamento e de coerência com o que se idealiza para o futuro. Não raras vezes, o stress diário e a rotina leva-nos a um estado de adormecimento que nos faz viver sem realmente compreender o que fazemos e porque fazemos, perdemos um pouco a orientação e a objectividade acabando por perder tempo e energia em tarefas que apenas nos consomem sem dar grande produtividade ou satisfação. A cegueira é de tal forma interveniente que atingimos um ponto em que já nem nos identificamos conosco ou com o sítio onde estamos. Assim, recomendo a todos que não exagerem nunca, esforcem-se e procurem sempre dar o máximo, por vezes tentem mesmo ultrapassar os vossos limites mas sempre com a consciência que é necessário descansar e relaxar. Não só em termos profissionais mas também sociais e pessoais. Perceber que por vezes é necessário voltar a ser criança e ser menos sério em relação a tudo e todos, que por vezes é bom perder tempo a olhar apenas o tempo passar e passar por nós. No fim, todos morremos e caminhamos para o mesmo sítio e nada do que possuímos agora vai conosco para o outro lado. Contudo, não quero com isto dizer que devemos deixar de tentar viver o máximo de cada dia e fazer o máximo dele, pelo contrário, viver intensamente e sempre construtivamente cada momento e cada dia, dar realmente valor ao que tem, e investir para uma vida cheia de sonhos concretizados e muitas experiências ricas em forma e conteúdo. O que quero passar é mesmo a ideia que a pausa, que a ausência, que o "perder tempo" é fundamental para que se possa evoluir com estrutura e sabedoria. Parando e sentando sobre o banco da estação da vida, compreende-se muito melhor o quanto estamos dentro e fora do comboio, sem nunca sair, sem nunca entrar, olhamos para as suas belas cores e compreendemos o quanto fazemos parte da sua paisagem. A contemplação deve ser profícua e saborosa. O olhar sobre o eu dentro e o eu fora.
Dar-te assas
Procuro orientar-te, saber como estás, como vives e como te sentes. Sem ti a vida tem pouco sentido e clareza, apesar da luz que invade o meu olhar através dos raios poderosos e quentes do sol, a minha visão é pouco iluminada e distorcida, o corpo sente-se frio e desprotegido. Sem cor, sem sentimento, sem desejo, procuro compreender-te, perceber como raciocinas e em que sentido caminhas. Julgo que muitas vezes nem tu sabes o que queres e para onde queres ir, para onde queres voar nessas assas que não possuis. Sabes o quanto amo-te e o quanto quero-te, o quanto sinto-te e o quanto envolves-te dentro de mim, a forma como procuro proteger-te e acalmar-te no meu coração mas nem por isso aproximas-te quando tento abraçar-te dentro de mim. Tens receio que os braços que te abraçam sejam tão puros e fortes que te façam acordar para um sentimento que apenas julgaste existir nas letras que outros escreviam ou pronunciavam. Durante longos tempos fomos aprendendo conjuntamente, com a força que nos une a voar sem limites, a sonhar sem barreiras e a amar a vida tal e qual nos era oferecida, perdemos os sentidos e o sentimento de perda acabou por nos sentir temerosos perante o perigo da extinção da nossa atracção. Torna-se difícil, doloroso e penoso caminhar, correr e lutar sempre atrás de ti, sei que não queres que te largue, que te deixe ir, mas vejo claramente o quanto sofres quando estás perto de mim, o quanto sangras por sentires tanta imensidão e não puderes relaxar porque o mundo não é perfeito e ordena-nos que caminhemos separados. Pertencemos a mundos diferentes, realidades que não coabitam por serem tão díspares, mas nem por isso deixou de me enlouquecer e iludir todos os momentos que passei nesse teu halo, nessa tua dimensão onde os deuses habitam. Compreendo que sendo um simples servo humano nunca poderia almejar tais proezas, tais patamares de perfeição e concepção. Percebo o quanto insignificante sou perante as importâncias quotidianas que percorrem o concílio dos deuses, a forma arbitrária como decidem muitas vezes o destino dos demais. Peço-te que não deixes de lutar, que não deixes de me visitar, e que não deixes de acreditar que ainda é possível amar os mortais. Esperarei sempre por ti e cá estarei para te dar sempre assas para voares novamente meu pequeno anjo...
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