O ser humano, ser naturalmente em desequilíbrio constante procura a sua homeostasia constantemente. Não compreendendo o quanto foge ao seu fluxo natural, quer erguer-se e mostrar-se algo que não é, exibir-se, qual pavão. Mostra e expõem cada vez mais a sua vida e a sua força, mostrando o que possui e mesmo não possuindo apresenta como seu. Não apresenta falhas e colmata-as normalmente ofuscando os observadores com feixes de luz que são reflectidos através dos seus brilhantes semi-preciosos, preciosos para ele, não-preciosos para mais ninguém. Quer mostrar as suas conquistas, não raras vezes esfregando na cara dos outros aquilo que atingiu, não fosse também este muitas vezes apresentando com uma legenda com algo do género "olhem para mim que tenho tanto e sou tão feliz". Grande parte das pessoas vai no mesmo caminho, na mesma maré, acariciando e idolatrando o ego dos exibicionistas, pois muitas vezes querem ser iguais se não melhores. O que preocupa ao ortopedista, é que as varas que sustentam o ego destes seres, não é de betão, titânio ou quanto muito bambo, passam sim bem mais por barro ou lama coladas contra os finos paus que servem de alicerces. Cada um vive a vida como quer e logo que seja feliz que assim o seja, mas não critiquem outros quando fazem o mesmo, e compreendam que a rectitude e frontalidade de cada ser passa essencialmente pela compreensão das suas formas, das suas curvas, das suas imperfeições e que acima de tudo esse é um caminho de descoberta pessoal e assim interior. A exterioridade do sucesso roça acima de tudo a falta de amor-próprio e pouca auto-estima. A frustração é sem dúvida alguma uma das cegueiras mais esgueiras que compreende o ser humano.
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