Cai a noite, apaga-se a luz, fecha-se a porta, a chuva cai, o coração suspira e o corpo desliga. A mente sempre activa, pensa em ti, pensa em tudo o que vivemos, o que poderíamos ter vivido e não vivemos, o que vivemos e talvez não o devêssemos ter vivido. Sinto-te cada vez menos, vais-te soltando entre os poros, a paciência já não resiste ao cansaço de lutar por ti, sonho contigo, vejo-te longe e difusa, os lábios já não se tocam, os corpos já não se sentem, fica o vazio entre nós. Percebo que afinal nunca foste minha, eu nunca fui teu, nunca existimos um dentro do outro. Produto das nossas ilusões e fantasias, sais correndo sem olhar para trás, descalça e com o cabelo solto não tens medo do escuro, não olhas para trás, não te arrependes, nem sentes os pés tocando a água, mergulhando na solidão. Foste a minha alma, a minha vida e a minha energia, o sol que me iluminava e me dava força, agora não passas daquilo que sempre quiseste ser, uma aventura, um soltar de emoção, algo que não existe no mundo do comum. Não te esquecerei, não te viverei, nem te lembrarei, vais caindo tal e qual como sempre sonhaste, afinal, não tens peso, tens asas e fazes o que queres com elas, a tua imaginação permite-te isso. Apesar de todos estes anos, consigo agora resistir-te, pensar que existe algo mais do que tu, algo mais importante e pelo qual luto na vida. Sei que estarás sempre por perto, sempre na ânsia de me contaminar, de me fazer enlouquecer e perder a calma e felicidade. Contudo, hoje foi mais um dia que não me venceste, foi mais um dia que te libertei e te perdi na imensidão do prazer de ser feliz... Até amanhã dor... descansa em paz.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Dar poder ao povo
Apesar de muito revolucionário e contraditório que possa parecer, dar poder ao povo pode ser o que de pior uma nação pode fazer. Isto porque muitas vezes o povo não está preparado para tal situação, para tal responsabilidade. Vejamos pelo simples exemplo do lar, as pessoas em grande parte não conseguem governar o seu lar, vivem e convivem de uma forma básica, normalmente muito apoiado no sistema de vamos ver televisão a toda a hora e falar o menos possível do dia-a-dia de cada um pois o que interessa é a vida dos outros que estão a dar na caixinha mágica. Não conseguem educar os filhos e por isso esperam que na escola façam tudo por eles, exigindo aos professores que façam o seu papel e o de educandos, talvez porque não uma descarga da própria frustração em não o serem. No trabalho o que mais amam é a sexta-feira e detestam a segunda, a sua produção passa essencialmente em queimar o colega do lado e fazer cara bonita para o chefe enquanto dizem mal do colega, e depois perante o colega o criminoso inverte-se. Perante as acções sociais organizadas pelo seu representante sindical ficam em casa a ver tv ou vão até ao shopping cultivarem-se pelas montras. Investimento pessoal e social é praticamente inexistente mesmo que este muitas vezes seja facilmente obtido de forma gratuita e acessível. Assim poderemos pensar, para quê dar valor e poder a quem não dá a si com razão nem aos outros por mérito? Se não se conseguem opor a um regime de cretinos governantes para quê irem para o seu poleiro? Por certo só iriam papaguiar o que os outros que lá estão também vão fazendo. Assim já foram muitos encarneirados em regimes fascistas anteriores e cada vez mais actualmente agora em chamados regimes sociais ou democratas, a falésia torna-se cada vez mais uma certeza para cada um, levando consigo toda a terra e riqueza de uma nação.
Valores básicos do homem
O homem é um ser simples, por vezes demasiado simples, o que torna complexo a sua avaliação. Primeiramente devemos separar o que é um homem do que é um adolescente ou criança. Um homem, e há poucos que se possam apelidar ou considerar como tal é praticamente o oposto dos seus antecessores. Não é ideal, não é perfeito, e nesse aspecto é semelhante aos outros, mas o que o distingue normalmente são os princípios e valores. Procura o bem-estar dos que o rodeiam, mais do que o seu, trata e cuida quem lhe é querido disponibilizando todo o tempo e energia para cada momento específico. Sólido e consistente não altera facilmente as suas ideias, exigindo de si o que exige aos outros, o melhor possível acima de tudo. Calmo e focado, pode parecer desligado e misterioso aos que o rodeiam, mas quem o conhece sabe perfeitamente que a sua concentração não está para o mundo exterior mas o que vive dentro da sua casa. Respeita todos, respeita a história e o sentido natural da vida e do mundo, tenta compreende-lo e aceita-lo tal como é. Vai vivendo e crescendo com as suas vitórias e derrotas, com os seus erros e as suas conquistas. Não esquece, e sempre lembra o que mais interessa, o que é fundamental, nem que por isso, tudo seja positivo. Dedica-se intensamente às causas e repara em cada pormenor, porque gosta das coisas simples mas acima de tudo porque isso o torna único também. Compreende que a vida vai bem mais além que um momento, uma diversão, e procura mais, estabilidade, continuação, superação e consolidação do que lhe faz bem. Acima de tudo o homem sabe o que o faz feliz, quer ser feliz, e apesar de ser humano, de errar, aceita esse erro e pede perdão mesmo que muitas vezes o mundo não o conceda, mas sabe que para estar bem pelo menos tem de tentar. Todos os dias são uma montanha enorme para atingir a felicidade porque sabe que ela não chega facilmente como quem estala os dedos, ele sabe que mais do que tudo a montanha está dentro de si e é contra ele que tem de lutar todos os dias, para que não se deixe levar facilmente onde muitos outros se encostaram e acomodaram. O homem sabe que o seu papel acima de tudo é perdurar e eternizar no coração de uma mulher, não pelo que fez de mau, mas porque todos os dias lutou para que fosse ele o dono por direito desse lugar.
O Desporto e a Estética enquanto vias para o crescimento interior
A alta competição desportiva joga-se muito ao nível mental.
Apesar das diferentes possibilidades de concepção do que é o Desporto, a Estética e o nível mental, por certo poderemos estar de acordo que todas elas estão interligadas e são de importância enorme. O homo desportivus, ludis, deverá ser ele também um homo aesthetic e mentis, nomeadamente se estiver na busca do homu perfectum. A possibilidade de crescimento do ser passa cada vez menos por uma exacerbação do corpo, contudo não deixa por isso de estar nele, e cada vez mais, a competição e a sobrevivência na luta pelo mais forte, mais alto, mais rápido, simplesmente as variáveis de sustentação do ser alteraram-se, o protoesqueleto é agora mais intelectual e rendilhado. Talvez não por acaso a estética esteja cada vez mais presente na constituição deste, onde a sua apresentação e a apresentação do seu trabalho tem de ser naturalmente mais enriquecido com o fascínio da iluminação que não fere mas cativa, tal como os diamantes. Assim o jogo e o seu jogar são progressivamente jogados num panorama mental em que o controlo do ser e a sua estabilidade fazem com que o edifício se torne cada vez mais alto e mais sólido. Apesar deste panorama mais esterilizado e cosmopolita não deixa de ser relevante o quanto o homem desportivo se está a tornar mais inteligente, mais compreensivo do que o rodeia e frequenta. É este mesmo muitas vezes aquele que se torna mais belo, perante toda a subjectividade que está inerente ao gosto mas também à sua publicitação que molda o gosto daqueles que menos ideias têm. A presença de um espírito forte, ou mais concretamente a apresentação desta forma de estar, o que já de si mostra riqueza, é muitas vezes mais que suficiente para o triunfo. Desta forma, o crescimento interior do ser passa cada vez mais por perceber e compreender o que o circunscreve, procurando amuletos que o encrostem numa imagem mais rentável e de sucesso. Trabalhando e sustentando esses amuletos o homem desportivo de hoje é ele mais capaz de vencer o seu rival, de se vencer interiormente também, e de perante as multidões ser mais idolatrado.
Conscientemente irracionais
Em que medida é justo ceder à irracionalidade que nos aproxima dos nossos instintos?
Desde o início da nossa evolução, quando não éramos o que somos nem sonhava-mos ser o que somos, nem capacidade tínhamos para sonhar, que sentimos, temos sentimentos e agimos e quase sempre reagimos a esse sentimento. Desde as primeiras células que habitaram este planeta, onde elas já vão, que o sentimento foi comandante da evolução. Apesar de ser de uma forma muito rudimentar e simples, o sentimento que as células dispunham através da reacção com o meio envolvente fez com que estas se moldassem em busca do benefício energético ou por sobrevivência ao meio onde habitavam. Os seus sensores emitiam um sinal mini-eléctrico que possibilitava ao núcleo, ou quase-núcleo, a possibilidade de ter um comportamento perante tal sinal. Dessa forma foi possível existirem simbioses, trabalho de cooperação entre seres, batalhas que provocaram evolução, pois nem sempre de bem e positivo se evolui. Passados largos milhões de milhões de anos, saberá lá quem quando tudo começou, o ser humano continua em larga medida a agir e principalmente reagir dessa forma. Certamente se pensarmos bem a palavra acção na verdade nem faz sentido, pois tudo surge através de uma concepção sobre o interior e exterior, e em certa medida na vantagem energética que isso nos pode transmitir ou produzir. Assim poderemos pensar, será que a nossa irracionalidade não será mais benéfica que toda a nossa racionalização e normalmente acima de tudo problematização do que nos é apresentado? Até que ponto na verdade não pensamos realmente que queríamos o que nos parece irracional, e porque muitas vezes quisemos ser racionais, acabamos por perder tempo e o momento? O animal selvagem não acaba ele também por medir as consequências e mesmo assim triunfar bem mais num mundo bem mais hostil, ou seja é racional e irracional ao mesmo tempo? A razão deverá estar acima de tudo na compreensão do que é benéfico para nós e compreender que a barreira que nos permite ser racionais e supostamente inteligentes pode ser também, e não raras vezes, uma mordaça que não nos permite exprimir o quanto gostaríamos de dizer, eu quero é viver!
Calor humano
Com vista ao desafio que foi lançado, aqui escreverei vários textos que foram solicitados pelos leitores. Por ordem, o calor humano.
O ser humano tem dentro de si uma máquina fabulosa de produção e reprodução. Envolve e interage com o meio, modificando e sendo modificado quer por essa acção directa quer por outras, bem mais, indirectas. Em tempos de clima instável e incompreensível por vezes, é perceptível compreender a desorientação do ser. Afinal o que o rege, comanda e alimenta anda ele próprio entornado. Os neurónios-espelho, famosos pela sua capacidade de replicação do que é constatado e mapeado pelos sensores corporais e depois analisados na mente acabam por interferir em demasia na produção motora e intelectual do sujeito, principalmente quando o sujeito é acima de tudo constituído só por estes elementos tão fascinantes. Assim as alterações climáticas vividas neste momento por todo o mundo acabam não só por interferir no normal decorrer dos ciclos da vida natural e animal, mas como do animal mais representado neste mundo. Racionalizando, de outra forma não poderia deixar de ser, pois se tivermos atentos, o início do diálogo entre seres desconhecidos tende normalmente a ser sobre o tema, ou quando existe falta de temas, quantas vezes não surge a questão sobre o tempo que se faz sentir. Pena porém que interfira normalmente mais no tempo e alteração de humor do sujeito receptor perante tal falta de interesse do prelector. Será falta de consciência? Sinceramente parece-me carecer mais de inteligência, ambição e interesse. Tal como o tempo, o próprio sujeito tende a rolar conforme o vento e a chuva que se vai abatendo.
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