O ser humano tem uma capacidade imensa de se esquecer rapidamente do que é importante de forma positiva e de relembrar constantemente o que é importante de forma negativa. Parece que de alguma forma procura sempre ser infeliz, sempre conformado com a tristeza e a irrealização pessoal. Se tudo corre mal é porque a vida é mesmo assim, as desculpas são múltiplas perante a impaciência em raciocinar sobre os assuntos, ou o aconchego e acomodação à falta de simpatia das soluções. Se tudo corre bem, então foi um por acaso, um achado, ou um acontecimento altamente improvável no mundo das probabilidades. Talvez a razão não esteja muito longe do real se acima de tudo estivermos sempre a ver o comboio a passar cheio de oportunidades e considerações. Assim, nada se dá por garantido a não ser a mágoa de se ser, principalmente não ser. Quando algo surge com mais brilho, nem que por isso seja ouro reluzente, pois o cheiro muitas vezes vem bem mascado por membranas tão ilusórias quanto transparentes, logo se dá mais brilho e atenção, logo tudo é fascinante e divino, lá se arruma o velho e se este se tentar encostar, nem que para apenas se encoste na sua sombra, logo é cuspido e repudiado, não vá ele sujar e maltratar o novo. A inveja nunca está presente, mas acima de tudo a falta de compreensão da coabitação entre os seres, do entendimento que sem o velho não existe o novo, e que acima de tudo sem o devido valor atribuído à antiguidade não se reconhece e se aprecia o novo. Sem essa reflexão e conhecimento o mais provável é continuar a despender energia a dar brilho ao novo e logo de seguida mandá-lo para o lixo pois logo surge outro novo.
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