sexta-feira, 22 de junho de 2012

Não é fácil ser verde

A vida apresenta-nos situações muito curiosas e desafiantes. Nunca nos deixa descansar ou dá-nos tréguas, pelo contrário, apresenta-se como um adversário invencível, que nos vai contrariando com novos problemas, situações, constatações e soluções que nos colocam sempre em ponto de desequilíbrio. Nem tudo é mau neste sentido, pelo contrário, olhando bem para o panorama, só há que agradecer a todo este, pois só assim é possível a evolução sustentada e contínua. Contudo, não deixa de ser desgastante o incómodo de nunca estarmos perfeitamente satisfeitos e realizados. Engane-se aquele que achar que o erro não fará parte do seu trajecto e olhe para este como algo que não coexiste na sua realidade. Ter orgulho e prazer no que se faz é essencial, mas também devemos tentar não ser anjinhos ao ponto de achar que tudo está perfeito, quanto muito sempre excelente. Existem sempre novas formas de melhorar, existem sempre pontos onde podemos mudar, mesmo que não melhores, diferentes, e por vezes só essa variação já nos transforma do excelente para o único. O maior problema está neste ponto mesmo, do deslumbramento, do fascínio, no facto de não termos maturação, conhecimento e inteligência, suficiente para perceber todo o cerne das situações e questões e de andarmos enganados, iludidos, principalmente por culpa própria. É basicamente um caminho sem grande solução, a não ser o de compreender que nem todo o foco está em nós, e quando está é preciso usar uns bons óculos para não nos encadearem. Assim calmamente e dando cada apoio com solidez e precisão se vai caminhando o caminho.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dar lustro ao novo e cuspir no velho

O ser humano tem uma capacidade imensa de se esquecer rapidamente do que é importante de forma positiva e de relembrar constantemente o que é importante de forma negativa. Parece que de alguma forma procura sempre ser infeliz, sempre conformado com a tristeza e a irrealização pessoal. Se tudo corre mal é porque a vida é mesmo assim, as desculpas são múltiplas perante a impaciência em raciocinar sobre os assuntos, ou o aconchego e acomodação à falta de simpatia das soluções. Se tudo corre bem, então foi um por acaso, um achado, ou um acontecimento altamente improvável no mundo das probabilidades. Talvez a razão não esteja muito longe do real se acima de tudo estivermos sempre a ver o comboio a passar cheio de oportunidades e considerações. Assim, nada se dá por garantido a não ser a mágoa de se ser, principalmente não ser. Quando algo surge com mais brilho, nem que por isso seja ouro reluzente, pois o cheiro muitas vezes vem bem mascado por membranas tão ilusórias quanto transparentes, logo se dá mais brilho e atenção, logo tudo é fascinante e divino, lá se arruma o velho e se este se tentar encostar, nem que para apenas se encoste na sua sombra, logo é cuspido e repudiado, não vá ele sujar e maltratar o novo. A inveja nunca está presente, mas acima de tudo a falta de compreensão da coabitação entre os seres, do entendimento que sem o velho não existe o novo, e que acima de tudo sem o devido valor atribuído à antiguidade não se reconhece e se aprecia o novo. Sem essa reflexão e conhecimento o mais provável é continuar a despender energia a dar brilho ao novo e logo de seguida mandá-lo para o lixo pois logo surge outro novo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Carta de amor

Os dias passam e eu sinto a tua falta, do teu cheiro, do teu sorriso, do teu feitiço, da maneira como danças na sombra dos gigantes. Não sei como és, quais as tuas formas ou feições, vejo-te de forma transparente, única, interior. Não percebo de que cor são as tuas vestes, os teus adereços, apenas reparo que os teus pés deslizam sobre a água como o vento percorre os vales. Desejo ver o teu corpo colado no meu, a forma como a tua face beija a minha, como os teus lábios fantasiam e iludem os meus, como eles correm atrás deles como de água vital se tratassem, como os nossos corpos se colam e sinto as tuas mãos percorrendo o meu peito, os meus braços, como se iluminassem em mim todos os canais e fizessem borbulhar cada glóbulo que tenho. A velocidade que me preenches a mente de sonhos e desejo, a forma como cativas o meu corpo e o fazes abraçar o teu, é mais do que alguma vez poderia imaginar, nunca acreditei que seria possível ao ser comum tocar o céu como se fossemos deuses. Quero-te para a toda a vida e farei de tudo para sempre te merecer. Luto com todas as forças que tenho para te merecer. Acaricio-te profundamente, aconchego-te intensamente, beijo-te lentamente  todas as noites para que nunca sintas frio ou medo, para que não queiras voar e te perder no deserto e na solidão. O sol nasce quando abres os olhos e irradias o mundo, a esperança que nasce no teu sorriso acalma o mundo, libertas as almas quando te estendes e o ritmo do mundo inicia-se com o teu andar e o meu coração continua batendo enquanto sinto o teu palpitar junto a mim. És tudo para mim, serei eternamente teu, e como simples mortal, só posso ambicionar que continues a descer dos céus todos os dias e noites, do teu paraíso onde a beleza tem significado pela forma como deslumbras o ser. Obrigado por me fazeres dar valor à vida, por seres a minha vida...