terça-feira, 19 de abril de 2011

Obesidade Intelectual

Dia após dia, somos bombardeados com todo o tipo de informação. Mesmo que não queiramos, a mente é atingida com todo o tipo de slogans, notícias, comentários, estratégias que visam a nossa atenção para essas mesmas.
O tempo que se usufrui é pouco, o trabalho ocupa o tempo de forma gritante, a família acaba por requerer e bem o que sobra. Desta forma o tempo para a leitura, para o estudo, para o aprofundamento do conhecimento torna-se imensamente reduzido. Uma questão de opção por uma vida que nos preenche mais além do sentido profissional.
Infelizmente se o esforço não estiver orientado no sentido do enriquecimento intelectual, a cultura obesa que nos rodeia acaba por nos consumir o pouco intelecto que possuímos. Na caixinha mágica do séc.XX muito do que transmitem não passa de incentivos ao ócio e à imbecilidade, pois em muitas estações a propaganda é que o sucesso está presente desta forma e não na forma correcta de aplicação e dedicação. A superação humana passa essencialmente por dizimar os oponentes de forma barata e íntima. O trabalho em grupo existe com um fim comum de obter apenas um objectivo final sem se criarem estruturas dentro da rede que permitam um conjunto mais eficaz e sentido. Tudo se baseia no somatório das individualidades como se estas vivessem e trabalhassem de forma estanque. Normalmente até final todo o sentido ético e de valor moral acaba por se desvanecer e passa a comandar a selva dos sentidos e mentiras daqueles que de racionais têm muito pouco. Será que já não existem programas e pessoas que representem que o ser humano ainda pode ser construtivo e bestial em comunhão com os outros e o espaço que os circunscreve? A mensagem de Apocalipse iminente é assim tão benéfico que o salve-se quem puder seja o sentido a tomar? Por vezes penso que o melhor será mesmo voltar ao canal panda para que o mundo seja todo ele também ilusório mas pelo menos mais colorido...   

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Adolescência actual

A sociedade tem vindo a mutar-se ao longo dos tempos, incorporando o que a circunscreve conforme as modas ou as situações económicas o possibilitam. Os jovens na sua génese não tem ambições muito diferentes das que tinham os jovens de outrora, querem ser reconhecidos, respeitados, elogiados, desejados e acima de tudo "independentes". Antigamente para se obter esta independência, começava-se a trabalhar, ajudava-se os pais e os irmãos mais novos fornecendo em casa com mais condimentos e condições e ficava-se com uma pequena fatia para um pequeno gosto pessoal. Actualmente as coisas, como o leitor por certo já reflectiu, não são bem assim, ou melhor, não são nada assim, pelo menos na generalidade.
A adolescência actual não compreende que a independência parte de uma desconexão umbilical com os pais. Como todas as pessoas no mundo, tentam ficar com o melhor dessa ligação e tentam eliminar o que de mau tem. Passo a explicar, mantêm-se a acomodação ao tecto protector parental, vivendo dentro das mesmas paredes, tendo os mesmos privilégios sociais e económicos, agora ainda mais porque a exigência já não é parcelar mas praticamente total. Mas por outro lado, eliminou-se os "malefícios" que existiam dessa independência, não se necessita de trabalhar para se obter o que se quer, não se pede sequer, exige-se como se um direito próprio se tivesse. Perante os amigos são independentes, comem com o seu dinheiro, compram roupa e telemóveis com o seu dinheiro, tabaco e vidas nocturnas com esse mesmo dinheiro, sendo que na verdade, esse "seu" dinheiro não é em nada deles. Apenas foi sugado de forma irritante e corrosiva aos pais.
A culpa, como se costuma dizer, não morre solteira, e se por um lado os pais se vendem aos filhos para não os afastarem e se sentirem apreciados, os filhos também devem ter consciência, até porque têm idade para isso, de terem juízo e compreenderem a situação socio-politico-económica em que se vive neste mundo. Mas como em tantos outros campos, este mundo parece caminhar a passos largos para o abismo. 

domingo, 10 de abril de 2011

Mad World

O mundo actual, mais propriamente o mundo humano que habita neste, começa a preocupar-me pelo caminho que toma. O seu sentido e direcção, se é que o tem, deixa-me pensativo e receoso.
Perante a anormalidade de pensamento e forma de estar dos adultos já não há muito a dizer. A futilidade e falsidade abonam a personalidade das pessoas, como se disso necessitassem desesperadamente para viver. Quando se chega ao ponto de não se poder dizer livremente o que vai na mente porque a mentira é melhor audível ao receptor da informação ou quando o quotidiano destes seres passa essencialmente pelo facebook, então algo de muito errado aconteceu no sentido do desenvolvimento do ser e da sua genialidade. O problema é que já não chegava a irrealidade e a ilusão destes seres na procura de serem acarinhados pelo número de amigos ou comentários que possam ter, o mal começa também a contaminar os mais novos, de forma directa ou indirecta.
O mundo das crianças neste momento resume-se a quatro paredes, às do quarto e às da sala de aula, que sendo maiores até nem são propriamente mais libertadoras, inspiradoras ou fascinantes. Em ambos os micro-espaços da forma(ta)ção das crianças, estas vivem ambientes de tal forma condicionados e condicionantes que tudo se resume ao encarreiramento do pensamento comum, barrado, desinteressante e pouco dado à expressão de pensamento seja ela de forma recriativa ou recreativa ou mesmo, se ainda é possível neste mundo tão castrador, criativa. O tempo de brincadeira, de imaginação, de fantasia, de ilusão de crianças e também dos adultos não existe neste momento. Queríamos tanto a liberdade de poder atingir tudo que ambicionávamos que o que conseguimos não passa mais do que nos prendermos ainda mais a modas e conceitos que reluzem mas que de ouro nada têm. Será que somos assim tão asnos para não compreendermos que nos estamos a massacrar intelectual e sentimentalmente?