sábado, 2 de outubro de 2010

QI - o valor é assim tão significante?

No outro dia decidi fazer um teste de QI. Não porque tivesse grande interesse em o fazer, mas já andava a ver testes de QI a ser publicitados por todo o lado na internet e não só e então decidi fazer um. Primeiramente informei-me sobre eles e desde logo percebi que a sua fidelidade não é assim tão grande, que muitas vezes aqueles que encontramos na internet ou que as pessoas costumam fazer de outras formas acaba por sobrevalorizar a capacidade "real" do indivíduo. Não foi o primeiro teste que fiz, ainda me lembro de um canal de tv português ter realizado um em directo, com a presença de vários "vips" e para os telespectadores que quisessem perder um bocado de tempo. É preciso também saber que estes testes terão de ser analisados também conforme a idade do sujeito e sexo, o que nessa altura nem fazia a mínima ideia.
Após ter realizado o teste, feito em inglês ainda por cima, obtive o valor de 128. Ou seja, estou 28 pontos acima da média do cidadão comum, o que isso quer dizer? Para mim, nada. Vi também, numa das publicidades, que Mourinho teria obtido o mesmo valor, o que não acredito que seja verdade mas a ser quer dizer que eu e o Mourinho temos a mesma inteligência? Seria néscio pensar dessa forma. Primeiro porque os valores, como todos os valores, são subjectivos, já aqui vos alertei para a questão de limite. Segundo todas as pessoas são inteligentes, simplesmente têm inteligências diferentes, e um mesmo valor não representa que sejam "igualmente" inteligentes. Terceiro, o teste de QI avalia essencialmente a capacidade mental do sujeito, a forma como processa pensamento, mas este esquece uma componente do ser humano que é extremamente importante, tal como a que estuda, que é a inteligência motora, corporal, muscular. Essa não é importante? Para as pessoas que passam a vida na internet, sentados, só a ler, ou a marrar, talvez não seja, por isso mesmo são analfabetos motores. Mas o ser humano não se faz só de mente, faz-se pelo todo e só é ser humano enquanto todo.
Quanto ao valor do QI, qualquer dia, com tanta publicidade, começam a recrutar pessoas exclusivamente por esse valor. Se assim for, pelo menos já sei que tenho as mesmas probabilidades de obter emprego que Mourinho... ridículo...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Lei da atração (física?)

Ao longo de vários anos, várias foram as pessoas por quem me apaixonei, senti proximidade, impulso, o que lhe queiram chamar, sendo claro que sempre em ordens e níveis diferentes de intensidade. Julgo eu, que como muitas, se não mesmo todas, as crianças e adolescentes. Gostamos e muitas vezes nem sabemos porque gostamos, outras vezes sabemos e dizemos a todo o mundo, outras guardamos para nós. Umas concretizam-se, outras não, por motivos da maior variedade possível. Assim, o mundo o permite. Algumas são repentinas, outras platónicas e duradouras.
Contudo, ao longo dos anos, após todas estas experiências, boas e menos boas, fui apercebendo-me que existe uma certa padronização em relação "à escolha" que se faz da outra pessoa. Ou seja, o facto de nos apaixonarmos e sentirmos atraídos por alguém não é por acaso. Pelo menos, pelo que vejo, procuramos sempre o nosso oposto compatível. Sendo nós um conjunto de características e conteúdos, procuramos quase sempre na outra pessoa características e conteúdos que nos completem e preencham. Para nos sentirmos mais inteiros, mais completos, menos defeituosos. Não digo aqui que os opostos se atraem, mas falo em complementariedade física e química que permite criar uma união mais fortificada, e ao contrário do que o leitor possa pensar, essa "escolha" não é assim tão consciente, como animais que somos, ainda existe em nós uma clara tendência para a sobrevivência, e assim, de forma inconsciente, o nosso ser procura um(a) parceiro(a) que nos dê mais garantias que o ser que nasce da união será mais completo, mais protegido para habitar este mundo. Aliás este aspecto começa a ser discutido cientificamente e por isso não é assim tão estranho ou incómodo.
Assim posso considerar que existe uma escala entre -10 e 10, passando obviamente pelo zero, sendo os números mais perto de zero aqueles com menor conteúdo mas que contudo podem funcionar bem com o seu negativo, embora o seu potencial seja sempre diminuto. Na mesma ordem, -10 e 10 são os indivíduos que conjugados trazem uniões, digamos, perfeitas. Naturalmente existem sempre os fraccionários, e normalmente as pessoas nem estão ligadas ao oposto equivalente, uns mais para cima, outros mais para baixo, e por isso existem relações melhores, outras piores, umas mais duradouras, outras nem por isso.
Assim ao longo de todos estes anos, percebo melhor porque certas relações nunca chegaram a acontecer, outras aconteceram mas não foram bem sucedidas e outras tem sido óptimas. Falo neste aspecto não só em questões de amor, mas também de amizade e profissionais.
Procurem o vosso oposto compatível...

Conforme a "tinta" vai escorrendo para o teclado

A vida corre bem, sempre mais sustentada, mais alegre, mais motivadora e motivada. A cada dia que passa a paixão por viver e ser melhor é maior, crescente, no sentido do infinito e mais além. A acomodação está fora do dicionário, e embora exista direito ao descanso e ao lazer, a demanda na obtenção do conhecimento, de experiência, de vivências novas é uma constante. Ultrapassa claramente o limite zero de y, felizmente, a vida tem sentido, sabor e orientação.
O facto de analisar a cada inspiração, as coisas belas da vida, as simples, os momentos únicos que recordamos eternamente, mas também a cada expiração, pelas coisas mais complexas, por vezes hediondas da vida, fazem com que o manuseamento dos conceitos e a sua expressão sejam feitas de forma viva, ousada, mas também natural e segura. É como andar, torna-se fácil, inconsciente, desnecessário de intervenção activa e propositada.
As palavras saem ao ritmo a que os carros passam na rua, a "tinta", com muito maior conteúdo que a sua simples cor e matéria, vai escorrendo para o teclado, tornando o ser mais satisfeito e satisfatório, procurando enaltecer o seu sentido paisagístico. A quimera é sempre o reconhecimento do próprio mesmo que este se mantenha um activo insatisfeito, nunca realizado, sempre na procura da perfeição que não existe. Mas a sua busca tem todo o sentido, satisfaz o corpo e a mente, dá sentido ao próprio ser, alimenta-o e consome-o, transcendendo-o e elevando-o.