segunda-feira, 4 de maio de 2015

Tu minha pequena

É incrível como tão pequena, tão recente e tão nova, mudaste a minha vida completamente. Impressionante como tão energética, tão alerta, tão dependente e necessitada, deste-me mais energia e paz do que alguma vez tive neste corpo cansado e desgastado. Apaixonante como com um olhar matinal fazes-me perder a noção do tempo, das preocupações, de todo um mundo que está lá fora e fica lá fora pois tu absorves tudo o que está cá dentro para ti e em ti. Delicioso como com esse sorriso cativas o amor que há em mim, dedicado, imenso, incondicional. Fascinante como fico horas a olhar para ti enquanto dormes e sonhas a meu lado, como brincas e tentas comunicar de tantas formas que apenas tenho olhos para ti, para o que fazes, para o que te superas todos os dias e me fazes ter imenso orgulho e prazer de estar a teu lado a cada pequeno passo que dás. Orgulhoso não só de tudo o que fazes e expressas, que me deixa perdido e babado, mas acima de tudo por seres feliz, sorridente, contente com o que tens à tua volta, na tua vida, com o que és. Trouxeste simplicidade à minha vida, mostraste-me o real significado de viver, desenvolveste em mim capacidades e habilidades que julgava não possuir, de forma natural, pura, sem pedir, sem exigir, sem mandar, simplesmente porque estavas presente e eu queria-te dar tudo para que te sentisses protegida e aconchegada. Sou eu que te dou o peito e o calor humano, sou eu que te agarro e te protejo, mas és tu quem me dás energia, quem me motiva, quem me cativa a estar sempre presente, sempre a pensar em ti, sempre a pensar no próximo passo e em ser mais forte, mais sólido, melhor pessoa e homem, melhor pai. Por vezes deixas-me sem palavras, não porque não as tenha, não porque não as queira dizer, mas simplesmente porque por mais que as dissesse, todas não chegariam para te demonstrar o que sinto, o que me corre nas veias intensamente e que me deixa o coração em ebulição. Completaste na perfeição o que já tínhamos na nossa vida, encheste um lar que já por si era preenchido e rico, não de valores monetários, mas sim dos valores que são mais importantes e significativos, os puros e sinceros, enriquecendo-nos a todos ainda mais. Com mais vontade de viver, com mais vontade de continuar, deste-nos força a todos e uniste-nos ainda mais, sem medo, sem dúvida, sem esforço, simplesmente pela forma como és, única e contagiante.

Um dia de muito sol pode virar tempestade

Os dias são por vezes imensamente luminosos, brilhantes, apaixonantes, vibrantes. Cativam todos aqueles que gostam a sair e a passear, usufruindo do que lhes é dado e aproveitando para destapar um pouco mais o que é seu. Mesmo que nem sempre muito quentes, alguns arriscam em tirar algumas roupas para que os raios surtam efeito nos seus corpos e para assim também se catalogarem com algo mais que os demais ainda não possuem. Nem sempre de forma mais correcta ou consciente, as pessoas tendem a exaltar-se e a excitarem-se com esta fase, esquecendo o dia de amanhã, não pensando que existe infinitude temporal e que não devemos dessa forma usar e abusar dos raios que se dispõem pelo nosso corpo e mente. As pessoas transformam-se e alteram os seus hábitos, passeiam mais, alimentam-se nos restaurantes ou bares com esplanada, têm as suas sobremesas extra-calóricas enquanto estão acomodadas na sua espreguiçadeira à beira-mar e abrem as janelas dos carros para que o ar novo e limpo, quento e seco que as contamine e as alivie. Contudo, muitas vezes o corpo não está preparado para tal, a mente de tanta superação e excitação perde o controlo e acaba por se desligar do que é comum, do que é corrente, do que é necessário e saudável para viver e por isso acaba por ultrapassar os limites que compreendem o seu estado homeostático. Desequilibram-se ao ponto de muitas vezes caírem, quantas vezes sem retorno nem com possibilidade de orientação. É preciso compreender que nem tudo o que brilha, nem tudo que é dourado é ouro, é elementar e é necessário. É preciso pensar no dia de amanhã, precaver, medir, pensar e acima de tudo compreender o limite do nosso corpo e mente, para que não deixemos de ser nós, para que não levemos ao limite um corpo que já de si é muitas vezes frágil. Desta forma é necessário, mesmo em dias de muito sol, um guarda-chuva pois nunca se sabe até que ponto o dia não virará em tempestade, em que a cabeça fica molhada e doente, o corpo deslavado e húmido e os pés encharcados e enlameados. Estabilidade e rigor são necessários para que exista tranquilidade e equilíbrio emocional e sentimental, para que não se gastem todos os cartuchos de uma só vez, o limite UV de exposição do corpo à riqueza longa e profunda, muitas vezes maléfica, que o sol nos dá livremente, consumindo-nos o corpo e a alma.