quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Mal português

Sempre foi assim e julgo que sempre será, Portugal perde constantemente, em todas as suas gerações, dezenas de talentos mundiais nas mais variadas áreas. Este facto deve-se a vários motivos: falta de capacidade para financiar e sustentar projectos que aliciem e projectem os novos investigadores; falta de capacidade para persuadir empressas na ligação a estes projectos; incapacidade de leitura e detecção dos jovens talentos; insuficiência para valorizar e catalisar novas ideias e circunscrever essas ideias dentro do seio nacional; tendência para criticar e anular com intensa resistência a sugestão de novas ideias; etc. Se por um lado, o facto de o País sempre ter tido dificuldades sociais e cosmopolitas levam a que se tenha que usar o cérebro de forma mais criativa e intensa, é certo que os dias que correm possibilitam também uma habituação ao comodismo e "deixa-andar" que se instala. Se o mar e o céu, as paisagens e o estrangeiro sempre foram motivo de inspiração para todos, a verdade é que tudo isso começa a ficar demasiado acessível e cinzento, cinzento principalmente por uma adulteração do significado destes impulsionadores. Contudo o maior problema, julgo eu, sempre se baseou no facto dos governantes, e falo não só dos que governam o país mas também de cada um que governa alguma instituição, clube ou algum tipo de associação, primarem por uma visão autoritária e ditatorial de como deve ser orientada e comandada qualquer tipo de campanha. A ideia que a força trabalhadora deve estar sempre ao serviço do seu chefe e que este deve apenas supervisionar e comandar o projecto é uma ideia que cai pelo princípio. A falta de capacidade em liderar e o receio em ser substituído ou ridicularizado por outro conhecimento superior leva a que muitos eliminem ou se apoderem do conhecimento ou sugestão daqueles que são os seus representantes. Isto acontece a todos os níveis da sociedade. O que mais me parece ridículo é o facto de termos alguns dos melhores cientistas, alunos, atletas, treinadores, escritores do mundo, e mesmo assim estes serem criticados de forma claramente inconsciente, infundada e depreciativa por pessoas que não têm qualquer conhecimento académico e de terreno, pois este é tão fundamental se não ainda mais que o primeiro, para julgarem e decidirem a vida dos que realmente deveriam de ser ouvidos com atenção e respeito. Assim, à custa daqueles que nem a sua casa conseguem governar, acaba-se por perder de forma definitiva valores emergentes e mesmo já consolidados para o mundo, pois para além de não se valorizar quando estão dentro do País, também acaba-se por condenar quando estão no estrangeiro. Infelizmente, e só por uma questão de propaganda promocional é que se valoriza estes seres que tanto tinham para oferecer a Portugal, muitas vezes já depois de falecerem. Casos como de Mourinho, Ronaldo, Saramago, Damásio, etc, vão continuar a acontecer neste Portugal que é pequenino mas não em potencial, mas sim no tamanho do cérebro de muitos.

2 comentários:

  1. Tens toda a razão, Pedro.

    Um abraço!

    Marcelo

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  2. Acima de tudo espero que a situação mude para o bem de todos, pois muitas vezes estes talentos acabam por se perder por falta de apoio. Obrigado e abraço Marcelo.

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