Durantes muitos anos sempre achei que os conceitos de família e de amigo eram amplamente ambíguos para muita gente. Sempre acreditei que a forma como via este paradoxo parecia algo distante com o conceito que eu tinha sobre estes grupos. Para mim são ambas palavras, que como muitas outras, têm um significado muito importante. Assim, sempre procurei ter a melhor família e amigos possíveis e tentei mantê-los por perto o máximo possível. Como todas as pessoas, por vezes cometi erros, não dando o devido valor e tempo a quem era importante, por vezes dei valor e tempo a mais a quem não merecia, acontece a todos e acontece ao longo de toda a vida. Às vezes tentei lutar e apoiar quem não queria ajuda, ou quem achava que não precisava de ajuda, penso que nunca rejeitei ajudar ninguém, pelo menos de forma consciente, pois mesmo quando as pessoas pouco ou nada me diziam, sempre tentei dar o máximo de mim mesmo que mais tarde as pessoas não reconhecessem isso. Contudo sempre fiz as minhas acções não esperando pelo reconhecimento de ninguém, quanto muito o desejo e esperança que fossem felizes e que ajudassem outros também. Naturalmente como ser humano momentos houve em que não tive paciência para certas acções e por isso acabei por cometer erros por falta de tolerância, tal como noutros a compaixão e porque não a ingenuidade levaram-me a ser manipulado por quem só se interessava por mim com motivações exclusivamente pessoais. Então, passados vários anos e muitas experiências com milhares de pessoas que vão passando pela minha vida e compreendendo que este conceito pode ainda sofrer mutações, concluo cada vez com mais certeza que amigos e família são conceitos claramente restritos e bastante exclusivos, que devemos considerar com muita especificidade e sentimento pois a estes devemos procurar tentar dar o máximo de tempo e atenção. Família não é apenas a de sangue, onde existem pessoas que são a nossa família e outras que são apenas familiares, mas sim pessoas e animais que temos no nosso coração e que vivem em nós intensamente, e amigos que são como irmãos, pessoas realmente importantes, sem contudo ter o mesmo sangue que nós. São pessoas que nos valorizam com a sua presença, que nos completam, com quem nos sentimos realizados e nos quais revemos a nossa importância na sua vida, que se preocupam conosco da mesma forma que o fazemos com eles e que valorizam o tempo, mesmo que pouco, que possuem para estar conosco inteiramente. Em relação ao resto das pessoas, naturalmente são "catalogadas" em muitas sub-divisões e campos e a sua importância é sempre relativa a essa mesma posição tal como nós e o nosso tempo também são relativos para eles. Nada nem ninguém deve ser exterminado da nossa vida, mas também ignorância e porque não mesmo burrice não deve coabitar muito nas nossas acções, de outra forma acabamos por não dar importância a quem realmente é importante.
sábado, 9 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Mal português
Sempre foi assim e julgo que sempre será, Portugal perde constantemente, em todas as suas gerações, dezenas de talentos mundiais nas mais variadas áreas. Este facto deve-se a vários motivos: falta de capacidade para financiar e sustentar projectos que aliciem e projectem os novos investigadores; falta de capacidade para persuadir empressas na ligação a estes projectos; incapacidade de leitura e detecção dos jovens talentos; insuficiência para valorizar e catalisar novas ideias e circunscrever essas ideias dentro do seio nacional; tendência para criticar e anular com intensa resistência a sugestão de novas ideias; etc. Se por um lado, o facto de o País sempre ter tido dificuldades sociais e cosmopolitas levam a que se tenha que usar o cérebro de forma mais criativa e intensa, é certo que os dias que correm possibilitam também uma habituação ao comodismo e "deixa-andar" que se instala. Se o mar e o céu, as paisagens e o estrangeiro sempre foram motivo de inspiração para todos, a verdade é que tudo isso começa a ficar demasiado acessível e cinzento, cinzento principalmente por uma adulteração do significado destes impulsionadores. Contudo o maior problema, julgo eu, sempre se baseou no facto dos governantes, e falo não só dos que governam o país mas também de cada um que governa alguma instituição, clube ou algum tipo de associação, primarem por uma visão autoritária e ditatorial de como deve ser orientada e comandada qualquer tipo de campanha. A ideia que a força trabalhadora deve estar sempre ao serviço do seu chefe e que este deve apenas supervisionar e comandar o projecto é uma ideia que cai pelo princípio. A falta de capacidade em liderar e o receio em ser substituído ou ridicularizado por outro conhecimento superior leva a que muitos eliminem ou se apoderem do conhecimento ou sugestão daqueles que são os seus representantes. Isto acontece a todos os níveis da sociedade. O que mais me parece ridículo é o facto de termos alguns dos melhores cientistas, alunos, atletas, treinadores, escritores do mundo, e mesmo assim estes serem criticados de forma claramente inconsciente, infundada e depreciativa por pessoas que não têm qualquer conhecimento académico e de terreno, pois este é tão fundamental se não ainda mais que o primeiro, para julgarem e decidirem a vida dos que realmente deveriam de ser ouvidos com atenção e respeito. Assim, à custa daqueles que nem a sua casa conseguem governar, acaba-se por perder de forma definitiva valores emergentes e mesmo já consolidados para o mundo, pois para além de não se valorizar quando estão dentro do País, também acaba-se por condenar quando estão no estrangeiro. Infelizmente, e só por uma questão de propaganda promocional é que se valoriza estes seres que tanto tinham para oferecer a Portugal, muitas vezes já depois de falecerem. Casos como de Mourinho, Ronaldo, Saramago, Damásio, etc, vão continuar a acontecer neste Portugal que é pequenino mas não em potencial, mas sim no tamanho do cérebro de muitos.
domingo, 3 de novembro de 2013
Meditação e arrependimento
Todos os dias tomamos decisões, algumas conscientes, outras nem por isso por questões de hábito e rotina. Por vezes estas são acertadas para o que pretendemos e outras vezes falham completamente as nossas ambições. Contudo, podemos e devemos tentar reflectir sobre todas elas, mesmo as mais simples e ordinárias, pois muitas vezes é nestas que reside grande parte da nossa felicidade diária, por serem tão repetidas e constantes. Pensar na razão pelo qual decidimos este ou outro caminho, porque sentimos mais conforto e certeza em relação a certos sentidos pode dizer-nos mais sobre nós e sobre o que queremos. Faz-nos perceber porque motivo somos o que somos e mais importante, o que queremos ser. Para isso devemos tentar encontrar tempo para reflectirmos e meditarmos sobre tudo o que acontece na nossa vida, porque a nossa vida é importante e única, porque é irrepetível e sentida, devemos procurar percebê-la, encontrar o sentido e sentimento para os nossos actos e inactos. Podem ser momentos enquanto viajamos para o trabalho, enquanto tomamos banho, enquanto esperamos por um transporte público ou por alguma pessoa. Momentos que não necessitam propriamente de muita atenção e que desta forma a nossa atenção e concentração estejam orientadas para esse estado. Compreendendo-nos, iremos tomar decisões mais conscientes, mais consistentes com o que somos e queremos, mais próprias com os nossos objectivos e satisfações. Iremos ser mais eficazes e incisivos sobre os problemas e situações da nossa vida, mais eficientes sobre as medidas que devemos tomar, sentiremos com mais intensidade as nossas vivências, sentimentos e pensamentos, tudo será por certo mais ajuízado. É certo que erros iremos sempre cometer, e é bom que isso aconteça pois aprendemos imenso se os analisarmos devidamente, e também não estará por certo muito longe da verdade que algumas das decisões devem ser tomadas por impulso e com essa iniciativa para que possam ser realmente instantâneas e surpreendentes. Pensar muito também prejudica a iniciativa e a beleza da vida, mas um mínimo de pensamento evita também que depois existam arrependimentos, não pelo arrependimento em si, pois como disse más decisões realizam-se quase diariamente, mas acima de tudo porque nos arrependermos de não termos pensado propriamente sobre o tema e então não o analisamos tal e qual como foi e então atribuímos-lhe uma perspectiva com elevado grau de erro, bem maior que o erro em si.
Remédios para uma vida melhor
O ser humano passa grande parte da sua vida a procurar soluções para os seus problemas, numa busca desenfreada para ser mais e melhor, muitas vezes de forma obscena tenta ser melhor que os outros só pelo simples facto de o ser, e de encontrar mais significado na sua vida. Tenta pesquisar sobre o que fazer e que caminhos percorrer e cai muitas vezes em complexos demasiado estranhos e complicados para si e para a sua vida, segue rotinas só porque famosos o fazem e porque se tornam modas, acabando por se tornar mais um como tantos outros. Muitas vezes influenciado por campanhas de publicidade e facilidade em aceitar o que lhe dão, esconde-se na ignorância e na preguiça de procurar informação que realmente seja fundamentada e comprovada. Para além destes aspectos esquece-se que é na simplicidade e na pureza que existe a cura para a grande maioria dos seus males. Pessoas querem ser fisicamente activas e então perdem horas dentro de um carro ou transportes públicos para depois irem para outro espaço fechado e treinar, o que poderiam muitas vezes fazer no seu caminho para casa ou se acordassem ligeiramente mais cedo e não perdessem tempo para as idas ao ginásio. Para além disso esquecem-se que o melhor exercício físico que existe é sexo, treina todo o corpo, relaxa o corpo e mente, renova a pele e orgãos, rentabiliza os sistemas e queima muito mais calorias, para não falar que não gastam dinheiro e todas as outras vantagems que advêm logo que seja feito com sentimento e intenção. Dizem-se stressadas mas em vez de respirar ar puro e experimentar algo novo todos os fins de semana, o que provoca uma maior produção de adrenalina e hormonas que estimulam a felicidade e inteligência, preferem repetir as suas rotinas que não as satisfazem, e então vão para o centro comercial tal como tantos outros olhar para coisas que não podem comprar, gastar dinheiro em coisas que não precisam e passar mais tempo em espaços de ar e vida reciclada. Dizem que não têm vida social, pois passam imenso tempo em sitíos de conversação com pessoas que não conhecem se não através do fio informático, gastam a sua vida visionando e postando o que fazem e o que os outros fazem ou deixam de fazer. Dizem que as suas vidas são cinzentas mas não as tentam colorir com música e novas experiências, enterram-se com as suas dores e males que existem na sua vida e não dão o devido valor ao que têm de valor e que deve ser reconhecido. Mencionam que não têm ninguém por perto que os ajudem e os ouçam mas esquecem-se que foram elas que não deram a devida atenção a esses enquanto estes estiveram por perto. As pessoas só se lembram dos outros quando precisam deles ou para se queixarem. Naturalmente nem todos os casos são iguais e naturalmente a solução para tudo não existe em aspectos e actividades simples mas por vezes é tão fácil ter uma vida muito melhor, muito melhor até do que se imagina e se sonha, basta deixarmos de perder tempo com o que não temos ou que temos de mau, ou das dificuldades e barreiras da vida e focarmos as nossas forças e energias para o que realmente tem sentido e valor. O simples e puro continua a ser ainda a melhor solução.
Assinar:
Comentários (Atom)