domingo, 26 de junho de 2011

Queda de valores

Após milénios de evolução constante, mesmo perante fazes de orgias e grandes banquetes de ócio e bebedeiras, o ser humano sempre foi procurando ser algo maior em todos os sentidos. Quer seja por inspiração própria, muitas vezes egocêntrica, ou por motivos externos como a ânsia em conquistar e destruir povoações vizinhas, ou por amores novos, o ser humano sempre combateu a monotonia e o desespero do nada. Do nada que fazer, que pensar, que actuar, que interagir, todo o nada. Contudo nos últimos anos, e felizmente ainda existe uma pequena maré de marinheiros que continuam em construção e em empreendimento profissional, motor e mental, a sociedade encaminha-se para o sentido que até agora tinha sido o objectivo supremo contra o qual lutava. Hoje o ser humano já não está numa fase sequer de carpe diem, já nem esse súbito impulso por algo fugaz, superficial, que morre logo após o seu nascimento, que vive apenas para satisfazer o libido, existe. Caiu-se no marasmo de estar bem perante o nada, o vazio, o inexistente de sentido e conteúdo. Se anteriormente, e erradamente, procurava-se ser o tudo e o todo, agora muitos são aqueles que se satisfazem perante a letargia e o mundo oco, baço. Preocupa-me imenso a forma como as pessoas estão a caminhar para a formatização do seu estado intelectual, social e cultural. Apesar de cada vez existirem mais extremos, e estes também não me parecerem claramente muito bem dotados de racionalidade e de clareza vivencial, existe uma força magnética que providencia a igualdade entre todos, infelizmente esta igualdade está no patamar mais indesejado que poderia estar. A morte da individualidade, do saliente, do carismático, do emergente, do ser racional em todos os seus campos, parece, assim, uma inevitabilidade.

sábado, 25 de junho de 2011

Perspectiva do erro

Ao longo da minha infância e adolescência, o conceito que me foi apresentado de erro, errar, falhar, sempre foi altamente depreciativo. Algo que se deve ao máximo evitar cometer, prejudicial, desmoralizador e provocador de uma má imagem perante a sociedade. A procura pela perfeição desta metrópole foi no sentido do não-erro, do rendimento sublime, da exacerbação do próprio ser perante os seus comuns através da perfeição técnica do seu raciocínio e da performance motora. Hoje em dia, o meu ponto de vista, é completamente o oposto. Não será o outro extremo, como quer crer a nova sociedade que acolhe com displicência a má-educação e a falta de profissionalismo de todo e qualquer ser como se fosse algo inerente ao ser humano, uma característica sua como ter pele. Será no sentido não limitativo em que muitas vezes a busca da perfeição exerce no ser. A pressão perante a sociedade em que se convive é por vezes tão grande e tão doente que leva o ser a errar sem sequer ter noção ou propensão para o fazer. Em vez de procurar explorar novos horizontes e em experimentar concessões diferentes, o ser limita-se aquilo que lhe é seguro e eficaz, não procurando, por falta de visão e ambição, plataformas de sucesso e rendimento mais complexas, mais exigentes, que lhe sejam mais desafiadoras e motivadoras. Um pouco como o "faz pouco mas faz bem". Eu sou a favor do erro, da experimentação, da implosão do limite cerebral e motor que nos condiciona. Só ele nos permite ir mais além, só ele nos torna super-humanos e só ele, no seu cerne, dá sentido à vida e ao prazer em viver. Viva o erro!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jornalismo ou Narração, Política ou Festa do Tomate

Após vários dias a tele-visionar o que se ia passando em Portugal, fiquei com uma certeza. No nosso país já não se faz nem jornalismo nem política. Parecem duas certezas, mas não, é mesmo só uma. Ambos os micro-mundos do jornalismo e da política devem apresentar ideias, explicar o que está a acontecer, não através de um ponto de vista cego ou único, próprio e desde logo condicionado, mas apresentar o que ocorre como realmente ocorre. Eu sei que não é fácil, não fosse tudo isto feito por seres que se dizem humanos capazes e muito profissionais, mas custa-me acreditar no ponto em que a situação chegou. Quando vejo jornalistas a narrar apenas o sucedido, ou o disse que disse, ou então a, será que ainda virá pior, comentar publicamente ou a elogiar ou denegrir um sentido político, então algo está muito errado, especialmente quando tudo isto ocorre durante um telejornal. Nem se preocupam sequer em procurar um espaço de opinião, é mesmo num espaço onde tudo o que deve acontecer deve ser apenas e só informativo. Quanto aos políticos, esses já caíram há muito tempo na miséria da estupidez e da ignorância, falam em programas para governar como se fosse algo de mitológico, pois só falam nele pelo nome e nunca pelo sentido. Todo o tempo de antena que dispõem, se não mesmo todo o tempo que têm, é para mandar tomates aos outros presidentes de partidos, tal como acontece na festa do tomate em Espanha. É tal e qual, cada um anda numa carrinha cheia de tomates e atira para qualquer lado, muitas vezes não se apercebendo que estão a atirar para si também, mas a cegueira e ignorância é tanta que dão tiros nos pés de caçadeira.
O mal de tudo não está propriamente em todos estes néscios, está em todas as pessoas que os continuam a seguir, não fosse o telejornal dos vários canais o programa mais visto por certo a seguir às telenovelas, outro espaço cheio de ideias fabulosas e enriquecedoras. Onde vai parar esse país à beira-mar...?